Lar
Há um lugar, o chamam de lar, íntimo como retrato, o tempo voa como garça,
a atmosfera interna, conhecida, intrínseca, até os odores ruins agradam, assimilam,
pernas espreguiçam em qualquer encosto, culinária local, música ambiente, até mais gente,
quem sabe alguns animais, e a paz governanta, sempre presente neste local.
Há uma pessoa, a chamam de lar, fonte de calor humano, afago no abraço, coração amado,
lhe atura as imperfeições, lhe compreende como ninguém, nem precisa ir tanto além, todos tem alguém,
sabe-se quem és, faz o sorriso vir rápido, a tristeza ir fácil, sorte de quem a mantêm, amém,
ouvidos pacientes, livre de juízo, o indivíduo que é nossa morada, perder, é sentir falta.
Há um momento, o chamam de lar, até a depressão insistente lhe dá folga, há uma espécie de cura lá,
alguns elementos acalmam a tua tempestade, silenciam o teu desespero, lhe dá ânimo sem motivo, mais que alívio,
todos sabem o exato instante, és revigorante, camuflado em algum hobby, fugas e válvulas de escape.
Há lares, os chamam de José ou Maria, está num lazer ocasional ou endereço fixo, quem sabe onde mais,
tantos lares pode-se fazer, dão repouso a um pobre coração, uma alma aflita, um corpo e mente em declínio,
a rotina, franca inimiga, sempre irá desapropriar cada doce lar, ou sem ela, não existiria tantos lares.
Poesia por J.G.B
Pintura "Gnomes Sweet Home" por Jeff Tift
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